Projeto prioriza valorização à vida e capacitação de profissionais

09/05/2012 23:20

Diminuir o número de óbitos causados por suicídio e ajudar a evitar possíveis tentativas de morte em Fortaleza. Eis o trabalho de treze estudantes dos cursos de Medicina e Psicologia da Univesidade Federal do Ceará (UFC), reunidos no Projeto de Apoio à Vida (Pravida). O único programa de extensão que atua com o tema no Estado, desde 2004, atende semanalmente pessoas que tentaram suicídio ou que tenham intenção de fazê-lo. Em oito anos de trabalho, nenhum paciente assistido pelo tratamento terapêutico do projeto cometeu suicídio na Capital. 


O índice é comemorado pela presidente do Pravida, a estudante de Medicina Hortência Ribeiro. No entanto, ela alerta sobre a necessidade de expansão do debate relativo à prevenção ao suicídio, tanto na comunidade acadêmica quanto entre a população. Envolto de tabus, o tema, segundo a estudante, deve ser compreendido a partir de diversos fatores, sejam eles sociais, afetivos, genéticos ou psicológicos. Para ela, um verdadeiro “problema de Saúde Pública”, que de 1998 a 2008, segundo dados do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde de Fortaleza, informados por Hortência, resultou em 1.299 óbitos na Capital. 

“Até 2020 estima-se que haverá 1,5 milhões de suicídios no mundo. Temos que tratar destes casos. Podemos fazer isso com orientação e atendimentos”, destaca a integrante do Pravida. Apesar de não estar completamente relacionado ao desenvolvimento de doenças mentais, conforme alertou a estudante, as tentativas de suicídio, em inúmeros casos, comprometem pessoas com transtorno mental, esquizofrenia, depressão e fazem uso abusivo de drogas e álcool.

QUALIFICAÇÃO NO IJF
Entre 2010 e 2011 o Instituto Doutor José Frota (IJF) registrou 500 tentativas de suicídio por envenenamento. Um quadro preocupante, segundo o farmacêutico e plantonista do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital, Joaquim Gonçalves Neto. De acordo com ele, o estado de abandono e desagregação familiar colaboram para este cenário. “Recebemos casos de acidentes involuntários como a ingestão de substâncias químicas, mas também tentativas e abuso do consumo de drogas. Temos que ter consciência do problema e por isso estamos trabalhando cada vez mais para compreender o tema e atuar efetivamente”, declarou. 

Para qualificar os profissionais que realizam o atendimento específico no IJF, o Hospital, em parceria com o Pravida iniciaram, ontem, um curso sobre prevenção ao suicídio. “Queremos melhorar o tratamento e os encaminhamentos ao serviço de atendimento. Este é nosso papel, não podemos nos furtar da discussão”, completou Joaquim.

Serviço
• Ambulatório de Psiquiatria do HUWC – UFC. 
Atendimento: Todas as quintas-feiras a partir das 14hs
Fone: 3366-8149

• Centros de Assistência Toxicológica – IJF. 
Plantão 24h
Fone: 3255-5050

 

Fonte: Jornal O Estado (http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=34¬iciaID=67974)