Psiquiatras e profissionais de saúde falam sobre tratamento de suicídio

12/10/2012 20:46

 

Psiquiatras e profissionais de saúde falam sobre tratamento de suicídio

No terceiro dia de atividades do XXX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, cerca de 300 pessoas lotaram o auditório Genipabu para conferir a sessão “Como eu trato pacientes com ideação suicida”, comandada pelo professor titular de Psiquiatria da Universidade Federal de Minas Gerais, pesquisador do CNPq, chefe do Departamento de Saúde Mental da FM-UFMG e membro do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Molecular, Humberto Corrêa da Silva Filho.

A apresentação começou com uma abordagem histórica e cultural do suicídio. “O suicídio sempre existiu, desde que o homem é homem, nas mais variadas culturas, mas com terminologias diferentes”, afirmou. Segundo o professor, o que muda muito é a forma como o suicídio é encarado por cada cultura. “Algumas vão apoiar, outras vão incentivar e outras vão reprimir o suicídio”.

Na cultura cristã ocidental, nos primeiros séculos da era cristã, o suicídio era visto de forma neutra e até incentivado em algumas ocasiões. Essa percepção mudou no século IV, com Santo Agostinho. Ele recriminou o suicida ao escrever que “aqueles que se matam são covardes incapazes de enfrentar seus testes. É sua vaidade que os induz a dar importância ao que os outros pensam dele. Nenhuma circunstância desculpa o suicídio, nem mesmo o estupro. Se a alma de Lucrécia permaneceu inocente, ela não tinha razão para se matar”.

Tabu

Estudo revela que, em 2009, nos Estados Unidos, 37 mil pessoas suicidaram. O grande número de casos, segundo o professor, não é acompanhado de investimento em pesquisa para desvendar as causas do problema. “Ainda varremos o assunto para debaixo do tapete. Ele é tratado como tabu”, afirmou.

Em outros países, há algum investimento em propaganda. O professor citou o exemplo da Austrália, que chegou a confeccionar cartazes para alertar para a alta taxa de suicídio entre os homens – na época, cinco registros por dia.

Abordagem psiquiátrica

A literatura traz diferentes explicações sobre suicídio. Para uns, o ato seria decorrente de uma doença mental. Outros determinam o suicídio como consequência de uma causa social, não sendo um fenômeno individual, mas coletivo.

Em termos conceitual, o suicídio é hoje definido em três dimensões: o pensamento (pensamentos de suicídio e planos de realização), a tentativa (quando se deve avaliar a letalidade, o tipo, a intenção e número de tentativas) e o suicídio, que é todo ato executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja a sua morte, usando um meio que acredita resultar no fim da sua vida.

Um estudo internacional – chamado Supre-Miss – procurou avaliar a prevalência dessas dimensões. Para o Brasil, o resultado obtido mostrou que, de cada 100 habitantes, 17 tem pensamentos suicidas, cinco tem planos, três tentam e um é atendido em pronto-socorro.

Vários transtornos psiquiátricos estão relacionados ao comportamento suicida. “Praticamente 100% dos suicidas têm transtorno psiquiátrico”, afirmou o professor. Entre os diagnósticos mais comuns estão os transtornos de humor (depressão e bipolaridade), transtornos de abuso de substâncias, transtornos de personalidade e esquizofrenia.
Estudos clássicos mostram que 20% dos pacientes bipolares, 10% dos pacientes com esquizofrenia e 15% dos pacientes em depressão podem se matar.

Fonte: Portal da Psiquiatria ABP. In: www.abp.org.br/portal/archive/8932